quinta-feira, 17 de novembro de 2011

carta extraviada.


Encontrei uma carta, do envelope senti sua dor.
não me lembrava de qual seria aquela carta dos que quebraram meu coração.
encontrei uma carta, seu papel meio amassado, meio surrado, meio pisado.não me lembrava, mas qual das dores teria sido a pior?
Encontrei uma carta, que mesmo depois de tanto olha-la não me recordava, da época, do ano, do sentimento.
Eu que a tanto tentava escrever uma carta, Uma carta de despedida.
E não sabia realmente as palavras. Eu que tanto queria gritar, mas o grito não saia.
e mesmo sem coragem, abri a carta.
seu envelope selado pelo tempo, deslocou-se. e em letras antigas, digo de um tempo antigo, me berrou aos olhos. eu li essa carta inteira, e fiquei estatelada.
No fim da carta tinha a mancha de uma lágrima. e meu nome. no entanto, quando a li, hoje. nenhuma sobrepôs-se em minha face. a carta era minha, minha carta para mim. já tinha escrito a mim, a algum tempo.
mas nunca a li. Escrevi, chorei acima dela, coloquei dor, e toda aquela carga de tudo que ainda ia sentir. E a selei, talvez para o nunca mais.
E todo aquele ar de carta extraviada, de mim mesma, Para mim mesma, do meu coração quebrado ´para o meu coração restaurado me deu um calafrio. E agora eu entendia o porque de não tinha palavras pra mim mesma, e não sabia escrever uma carta de despedida.
Porque eu já tinha me despedido. Eu já tinha escrito tudo que precisava. Eu já tinha me despedido, eu já tinha ido embora. de mim, sem dar adeus. Gosto de enxergar, como um até logo não é bom se perder dos antigos caminhos. Perder-se também é caminho. agora outra chegou,
uma ultima nota da minha carta de despedida: "O solitário consegue fazer quase tudo sozinho. Mas será que ele é feliz?".

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